Os desafios do cinema independente | Entrevista com diretor Eduardo Colgan

Um tiro foi suficiente para Eduardo Colgan, diretor paranaense, dar luz, câmera e ação ao curta “A Rua Muda” que estreou no Festival Olhar de Cinema 2017 e aborda a violência policial em lugares públicos nas grandes cidades.  O filme conta a história de quatro amigos que presenciaram o disparo de um tiro em uma das ruas mais movimentadas na noite de Curitiba. 

Baseado em fatos reais, a autocrítica e a identificação com o telespectador são pontos chaves para prender atenção durante todo o curta de Colgan. Afinal, quem nunca presenciou uma ação de violência pelas ruas da sua cidade? O filme é uma crítica as diferentes classes sociais presente em uma única rua: Rua Riachuello no bairro São Francisco. 

O diretor mais uma vez levou produções paranaenses às telas de festivais nacionais e internacionais. Em 2013, o curta "Vitória" ganhou prêmio de Melhor Atriz com Camila Hubner no Festival Kinoarte de Cinema e também participou da segunda edição do Festival Olhar de Cinema. Seu curta "Quatro e Fíntchy" participou da 15º Mostra de Filme Livre no Rio de Janeiro em 2015.

Na sua quarta produção, Eduardo Colgan conta para nossa equipe como é colocar em prática uma produção independente sem incentivo. Também comenta um pouco mais sobre o mistério do curta "A Rua Muda". Confira:

O filme “A Rua Muda” é uma autocrítica. Como foi feita a montagem de misturar a ficção com eventos reais que você presenciou?

Por um momento eu e meus amigos iríamos atuar, mas não ia ser legal. Então, chamei alguns amigos que não presenciaram o evento da abordagem da polícia e que já atuaram em outros curtas. Depois de personificar os personagens, o filme ficou com outra cara.  No decorrer do filme houve várias mudanças, por exemplo: um personagem participou de uma cena que não era dele, e a cena das fotos que foi feita sem roteiros, eram realmente os personagens reagindo a fotos reais deles.

Estes momentos de intimidade criaram uma conexão com o telespectador no qual ele consegue se ver dentro da história e se relacionar. 

A primeira cena do filme, que são os personagens reagindo à imagem da câmera, também foi um momento chave entre a ficção e o evento real. 

Em alguns momentos, a polícia está presente nas filmagens. Como foram realizadas as cenas?

O vídeo foi um amigo meu que gravou, mas o filme é mais ficcional como realmente aconteceu. O áudio é roteirizado, em algumas cenas coloquei sonoras para recriar o confronto. Em relação à polícia que apareceu em cena com os atores, foi coincidência, eles estavam saindo da balada e a cavalaria apareceu na hora. E outro momento é quando eles estão correndo e o carro da polícia surge na rua. Foi sorte! A gente gravou as cenas muito antes do programa Balada Protegida do prefeito Rafael Greca entrar em operação. 

Boa parte do público que estava presente hoje já presenciou uma ação de violência em lugares públicos, como é retratado no filme. Essa identificação ajuda a consolidar o cinema independente?   

A identificação é necessária para qualquer filme ser bom. Ter uma real intenção, propósito e os atores sendo reais e verdadeiros é necessário para qualquer filme, não somente no cinema independente, embora seja mais presente. Quando o diretor tem um projeto que deseja muito colocar em prática, o filme vira parte da alma dele, o que é diferente, às vezes, de uma produção hollywoodiana que contrata roteirista, ou compra o roteiro. O esquema de produção fica mais separado. E nos filmes independentes, o filme faz papel de filho para os diretores, uma criatura que ele pariu depois de anos de trabalho. Mesmo se o roteiro vier de outra pessoa, você fica tanto tempo trabalhando e tentando fazer o filme estrear que cria uma conexão quase física.

O único jeito de fazer filme aqui no Brasil é a vontade do coletivo

Em relação o financiamento do filme, uma parte foi feito por apoio. Como é criar um filme sem ter incentivo e com pouco recursos financeiros?

Há o seu lado bom! Você vê que as pessoas estão participando porque elas realmente acreditam na ideia ou querem debater e achar uma resposta. Os nossos apoios foram práticos: figurino disponibilizado por Fermín Cacarecos e a trilha sonora por Onça Disco, menos a música de abertura que pedimos autorização para usar. O resto foi do próprio bolso. A temática do filme que critica a estrutura urbana da Prefeitura de Curitiba e da Guarda Municipal não iria passar em um edital. É triste! E devido ao poucos recursos há poucos enquadramentos, mas faz parte. Se você tem limitações, é preciso aprender a lidar com elas para que o produto final converse com todo o filme, não adianta mascarar a falta de recursos. 

Como você enxerga o cenário cinematográfico de Curitiba?

Desde que começou o curso de Cinema na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), aumentou o número de pessoas que ingressaram na área audiovisual. Ao mesmo tempo, teve uma popularização de câmeras digitais e smartphones. O vídeo é um elemento presente na vida de todo mundo, independente de quem faz cinema ou não, todo mundo é ligado com o audiovisual o dia inteiro. Então, sim, aumentou a vontade de fazer vídeos e amigos se ajudando para dar forma a eles, embora os editais estejam cada vez mais escassos - o edital estadual saiu pela última vez há quatro anos atrás. Alguns recursos que são comuns em outros países, a gente não tem essa base, então o único jeito de fazer filme aqui é a vontade do coletivo. A situação atual é boa, mas há muito material que poderia estar chegando em mais lugares com mais força e mais potência

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Assista ao curta-metragem no Festival Olhar de Cinema, em Curitiba.

VI Olhar de Cinema reúne longas e curtas em Curitiba

Começa nesta quarta-feira (07/06/2017) a sexta edição do Olhar de Cinema. O evento, que reúne dezenas de filmes com diferentes nacionalidades, vai até o dia 15 com mostras diversificadas e premiação em diferentes categorias.

A abertura do Olhar de Cinema será feita às 20h30 do dia 07 de junho, no Espaço Itaú de Cinema, com a exibição do longa "La Familia", dirigido por Gustavo Rondón, e gravado na Venezuela, no Chile e na Noruega.

Durante os demais dias, será possível conferir títulos como “A Canção do Asfalto” (Brasil), “La Tierra Aún se Mueve” (México) e “Dao khanong” (Tailândia). A lista completa de participantes está disponível no site do Olhar de Cinema

O longa-metragem de encerramento da mostra é o filme "Baronesa", dirigido por Juliana Antunes, e será exibido às 21h do dia 14 de junho, no Espaço Itaú. Na data, a cerimônia de premiação ocorre na Sala 3 do cinema.

Os ingressos para todas as sessões do festival custam R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia entrada) e podem ser adquiridos nos locais de exibição dos filmes.

Premiações

A agenda de premiações inclui uma Mostra Competitiva na categoria Longa-Metragem, com entrega do Prêmio Olhar de Melhor Filme, do Prêmio Especial do Júri, da Prêmio de Contribuição Artística – que pode ser dado para roteiro, direção, atuação, composição de trilha sonora original, montagem, direção do fotografia, direção de arte ou edição de som – e o Prêmio do Público.

Também é escolhido o Melhor Curta-metragem e são entregues o Prêmio Olhares Brasil – Melhor longa-metragem brasileiro das mostras Competitiva, Outros Olhares e Novos Olhares, Prêmio de Melhor Filme da mostra Novos Olhares, o Prêmio de Melhor Filme da mostra Outros Olhares (Longa e Curta).

Na ocasião, a Abraccine também faz a divulgação do Prêmio da Crítica de Melhor longa-metragem da mostra Competitiva e a AVEC-PR laureia o Melhor curta-metragem da mostra Mirada Paranaense.

Acesse o site do festival ou curta a fanpage do Olhar de Cinema para obter mais informações: https://www.facebook.com/olhardecinema.

Festival de Cinema Europeu 2017 homenageia as mulheres no cinema

Em homenagem às diretoras de filmes europeus, a 13ºedição do Festival de Cinema Europeu de 2017 começa hoje (11/05) na Cinemateca de Curitiba. Do dia 11/05 a 21/05, o evento irá abordar filmes europeus dirigidos por mulheres e / ou com abordagens de questões femininas e de igualdade de gênero.

A temática "Mulheres em Cena" além de promove um debate sobre a importância de um espaço de expressão, visibilidade e reflexão da mulher dentro da sétima arte, diversificou a sua grande de programação, que conta com 15 filmes de 15 nacionalides diferentes.  

A abertura do evento  fica por conta da diretora alemã Margarethe von Trotta com o filme “Hannah Arendt”, que conta a história da filósofa no período em que morou nos Estados Unidos na década de 50. Após fim da Segunda Guerrra Mundial,  Hanna Arendt (Barbara Sukowa) é chamada  a cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann para a The New Yorker.

Ela viaja até Israel, e na volta escreve todas as suas impressões e o que aconteceu, e a revista separa tudo em 5 artigos. Só que aí começa o verdadeiro drama de Hannah: Ela mostra nos artigos que nem todos que praticaram os crimes de guerra eram monstros, e relata também o envolvimento de alguns judeus que ajudaram na matança dos seus iguais. A sociedade se volta contra.

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Outro filme que é destaque no Festival é "Paveela Ckeen - A Cigana" do fotógrafo Perry Ogden. O longa  é um retrato íntimo de Winnie, uma resiliente e espirituosa jovem membro da comunidade dos viajantes, e sua família que vivem em um trailer dilapidado no lado da estrada em uma área industrializada desolada de Dublin. O filme apresenta um relato inabalável de uma comunidade marginalizada, vivendo em extrema pobreza em uma então próspera Irlanda.

 O filme revelou-se um sucesso notável, ganhando o prêmio de “Melhor Filme” no Film Fleadh Galway, no Festival de Cinema de Londres e nos Prêmios de Cinema e Televisão Irlandeses, além de um notável Prêmio de Direitos Humanos no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires.

O Festival  faz parte das atividades da Semana da Europa, organizada pela EUNIC - Associação dos Institutos Culturais Oficiais da União Européia. O Festival é gratuito e vai até dia 21 de maio.

Confira a programação completa:

  • Quinta feira - 11/05
    19h - HANNAH ARENDT-  Drama/biografia, 100 mins. Indicação: 12 anos.
  • Sexta feira - 12/05
    18h - MARIE KRØYER de Bille August. (Dinamarca, 2012, drama/romance, 103 mins. Indicação: livre)
    20h - A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE ANTÔNIA de MarleenGorris, (Antonia, Reino dos Países Baixos, 1995, comédia dramática, 102 mins, livre).
  • Sábado - 13/05
    18h - NOSSA ESTRANGEIRA de Sarah Bouyain. (NotreEtrangère, França, 2010, drama, livre)
    20h - AQUELES QUE FORAM SONHADOS de Ruth Beckermann. (Die Geträumten, Áustria, 2016, drama/documentário, 89 min, livre).
  • Domingo - 14/05
    18h - O MENINO NA PONTE de Petros Charalambous. (Boy on the Bridge, Chipre, 2016, drama, 85 mins, 12 anos).
    20h - MAMÃE E OUTRAS FIGURAÇAS DA FAMÍLIA de Ibolya Fekete. (Anyámés más futóbolondok a családból, Hungria, 2015, drama, 108 min, 12 anos)
  • Terça Feira - 16/05
    18h - TIGRES NA CIDADE de Juraj Krasnohorský. (Tigre v meste, Eslováquia, 2012, comédia/drama, 100 min, 16 anos).
  • Quarta feira - 17/05
    20h - BELLEVILLE BABY de Mia Engberg. (Bellevile Baby, Suécia, 2013, drama, 75 min, 15 anos).
  • Quinta feira - 18/05
    18h - O CAMINHO DE HALIMA de ArsenAntonOstojić. (Haliminput, Croácia, 2012, ficção/drama, 93 min, livre).
  • Sexta feira - 19/05
    20h - PÂNICO de Barbara Zemljič. (Panika, Eslovênia, 2013, drama/comédia, 103 min, 15 anos).
  • Sábado - 20/05
    18h - PAVEELACKEEN – A CIGANA de Perry Ogden. (PaveeLackeen – The Traveller Girl, Irlanda, 2005, drama, 88 min, 15 anos).
    20h - DE SUA JANELA À MINHA de  Paula Ortiz. (De tu ventana a lamía, Espanha, 2011, drama, 107min, livre).
  • Domingo -21/05
    18h - O PRIMEIRO CARGO de GiorgiaCecere. (Il Primo Incarico, Itália, 2011, drama, 90 min, livre)
    20h - AMÁLIA – O FILME de Carlos Coelho da Silva (Amália – O Filme, Portugal, 2008, drama/biografia, 127 min, 12 anos).

Inscrições abertas para a Mostra do Filme Livre 2017

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Quer participar da ação Cineclubes Livres da 16ª edição da Mostra do Filme Livre, pois as inscrições já estão abertas e o melhor de tudo é que é gratis e sem seleção. O processo começou dia 25 de abril e vai até o dia 22 de maio de 2017.

Para quem não conhece, o Cineclubes Livres é a maior ação em rede de cineclubes do Brasil, que leva filmes livres para diversas cidades de todas as regiões do país.

As inscrições são gratuitas e todos cineclubes inscritos terão direito a exibir de duas das quatro sessões oferecidas pela 16ª MFL. Isso significa que se você se inscreveu inscreveu já está dentro.

Podem participar CINECLUBES realizados por Cinemas, Coletivos, Pontos de Cultura, Institutos Federais, Universidades, Faculdades, Escolas, Teatros, Museus, Bibliotecas, Sindicatos, unidades do Sistema S, Associações, Cooperativas, OSCIPs, espaços culturais, outras instituições quaisquer e indivíduos ou pessoas jurídicas que realizam atividades ligadas ao cinema.

Os filmes presentes em cada sessão e a arte gráfica da Mostra serão enviados única e exclusivamente pela internet. Os participantes deverão exibir os filmes entre os meses de julho e agosto de 2016.

Para inscrever seu Cineclube basta ler e concordar com o regulamento.

Confira aqui as sessões e filmes disponíveis para os cineclubes.

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“Como Nossos Pais” divulga cartaz especial para o Festival de Berlin

O mais novo filme da diretora brasileira Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças) foi selecionado para a mostra Panorama, do Festival de Cinema de Berlin, que acontece entre 09 e 19 de fevereiro de 2017. 

A mostra alemã é uma das mais reconhecidas internacionalmente e, em sua 67º edição, deve novamente levar à capital do país cineastas e profissionais de cinema do mundo todo. 

Para participar desse conceituado evento, a equipe de “Como Nossos Pais” preparou uma versão internacional do cartaz do filme, que lá fora vem sendo chamado de “Just Like Our Parents”.

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Distribuído no Brasil pela Imovision com produção da Produção da Gullane Entretenimento e da Buriti Filmes, o filme é roteirizado pela própria Laís ao lado de Luiz Bolognesi. Quem estrela o longa-metragem é a maravilhosa Maria Ribeiro, no papel de Rosa, uma mulher dividida em seus muitos papéis: mãe, filha, profissional e esposa. 

Rosa se cobra por ter que dar conta de todas as suas obrigações, mas descobre que não consegue e também que a vida é cheia de surpresas, principalmente, as vindas de sua própria mãe. Também fazem parte do elenco Clarisse Abujamra, Paulinho Vilhena, Felipe Rocha, Sophia Valverde, Jorge Mautner e Annalara Prates.

Como Nossos Pais” não tem data de estreia prevista para o Brasil, mas deve chegar às telonas ainda no primeiro semestre de 2017. Acesse a galeria para conferir o cartaz internacional e outras imagens do filme!

Jovens do Complexo de Favelas da Maré compõem o Júri Jovem do Curta Cinema 2016

Por meio de um processo de seleção aberto a jovens participantes de projetos de comunicação popular do Complexo de Favelas da Maré, o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro – Festival Curta Cinema – constitui pela 9ª vez um júri composto por jovens, que concederá prêmios na categoria de Melhor Filme Nacional e Internacional, nas respectivas competições.

O Júri Jovem no Curta Cinema é uma ideia pioneira em um festival brasileiro, desenvolvida desde 2007, e propõe a interação entre jovens, preferencialmente estudantes da rede de ensino da cidade do Rio de Janeiro, o Festival e o curta-metragem.

Seis jovens foram selecionados para vivenciar um processo de imersão na atual produção de curtas-metragens cariocas, nacionais e internacionais, acompanhados de bate-papo e reflexões. 

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  • Thaís Cavalcante da Silva, colaboradora voluntária do Jornal Comunitário O Cidadão;
  • Suzane Santos de Souza, sócia na Produtora Amarévê, integrante do Coletivo Meninas Black Power e articuladora no Ocupa Escola;
  • Lethícia Barcelos Domingos, realizadora do Favela 3D, projeto de conclusão da ESPOCC; 
  • Karina Donarina, realizadora nas Produtoras Amarévê e Na Favela;
  • Eloi Leones, Jornalista de dados no projeto de comunicação popular Data Labe;
  • Cassio Inácio da Silva, idealizador do Amarévê, Portal de Comunicação para Jovens da Maré. 

Após o Festival, estes jovens participarão também da FLUPP 2016, preparando a programação de uma das sessões do Cine Petrobras e de um debate que acontecerá na Cidade de Deus, no dia 12 de novembro.