Batman de Matt Reeves terá sequência com Robert Pattinson

"B de Vingança" ou simplesmente "Batman" fez um sucesso estrondoso e, como já era de se esperar, com grandes bilheterias vêm grandes sequências. Nesta terça-feira (26 de abril), a Warner Bros. Pictures anunciou, durante a Cinemacon, que o diretor Matt Reeves começou a roteirizar a sequência de Batman, onde ele e Dylan Clark voltam a produzir juntos.

Obviamente, o ator Robert Pattinson que surpreendeu por sua boa atuação e fez um bom trabalho para apagar a memória terrível de vampiro de Crepúsculo retorna no papel do herói Batman, bem como retorna como Bruce Wayne — spoiler: eles são a mesma pessoa. No entanto, é claro que não há informações sobre outros personagens, muito menos sobre os vilões que desafiarão o grande detetive de Gotham que foi bem falho no seu trabalho de Sherlock Holmes neste primeiro filme.

A notícia sobre a sequência do Batman vem logo após o filme atual ultrapassar a marca de US$ 750 milhões nas bilheterias globais e já conquistar mais elogios ao chegar à plataforma de streaming HBO MAX (o que não implicou na retirada do filme dos cinemas, uma vez que ainda há público querendo ver o herói na telona). O anúncio da continuação de Batman foi feito em Las Vegas por Toby Emmerich, presidente do Warner Bros. Pictures Group, e pelo próprio Matt Reeves.

Além disso, a HBO Max anunciou recentemente uma série centrada em Colin Farrell como o Pinguim, derivada diretamente do universo lançado pelo Batman. Vale mencionar que Reeves está atualmente trabalhando novamente com J.J. Abrams e o veterano do universo DC Bruce Timm na próxima série animada do streamer “Batman: Caped Crusader” (título ainda sem tradução).

Crítica do filme Liga da Justiça de Zack Snyder | Vale a pena ver a nova versão?

Alguns universos marcaram o cinema ao longo da última década. É o caso dos títulos que compõem as franquias entrelaçadas de heróis da Marvel e das sagas um tanto desconexas da DC. Cada uma com seu estilo de abordagem e produção, ambas conquistaram seus respectivos fãs, mas é inegável que a Marvel obteve maior êxito (falando principalmente de retorno financeiro e de recepção do público) ao fazer uma linha costurada entre seus títulos.

Por se tratar de um segmento midiático que não tem regras, a DC seguiu um caminho muito diferente, que visava manter cada herói em sua respectiva bolha. Isso funcionou muito bem ao manter filmes do Batman separadamente (empreitada iniciada lá em 2005 com “Batman Begins”), os quais certamente ganharam prestígio antes mesmo de a Marvel começar a sua construção de um universo compartilhado com o primeiro filme do “Homem de Ferro”.

O ponto é que uma estratégia cinematográfica não dura para sempre, sendo que a DC levou um bom tempo para entender a importância de interligar os filmes e jogar o jogo da concorrente, que aos poucos foi conquistando o público e forçando os fãs a assistirem vários filmes para ter uma base do universo mais amplo. Tudo isso garantiu que a Marvel culminasse sua jornada nos Vingadores, enquanto a DC ainda patinava para entender que o público já não queria filmes solos dos personagens (ou se queria, não queria da forma como eles fizeram).

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Após muito insistir em filmes separados e em decisões muito controversas (alô “Batman vs Superman”), a DC finalmente entendeu que a bagunça deveria acabar e um filme da Liga da Justiça seria necessário para mostrar ao mundo que ela também tinha seu time de Vingadores para o cinema. O único problema: a DC não formou uma base sólida (e coerente) de filmes que pudessem dar uma base de enredo ou mesmo de personagens para chegar no filme da Liga. Todavia, eles lançaram o filme mesmo assim.

O pior: o projeto que originalmente era de Zack Snyder foi transferido para Joss Whedon (que anteriormente trabalhava para os estúdios Marvel). A mudança repentina foi porque Snyder se afastou do projeto quando sofreu uma perda em sua família, de modo que os estúdios Warner optaram pela substituição do diretor, que foi ninguém menos do que Whedon, certamente um cineasta competente, mas que decidiu modificar o filme para ficar com sua cara, sendo que ele até modificou o roteiro e optou por refazer várias cenas.

Moral da história: o filme Liga da Justiça que chegou originalmente em 2017 aos cinemas não era nem de longe a visão de Zack Snyder, mas sim uma colcha de retalhes meia-boca, que, graças a ideia brilhante do estúdio em apressar o projeto e contratar um diretor de uma empresa concorrente (até agora ninguém entendeu isso), desagradou críticos e fãs.

Após a repercussão negativa, em que o primeiro Liga da Justiça amargou 40% de aprovação da crítica especializada no site Rotten Tomatoes e nota 6,2 pela audiência no IMDb, todos pensavam que a Warner deixaria o projeto de lado e seguiria a vida. Vez ou outra, algum site soltava rumor de que Zack Snyder faria sua própria versão do filme, uma vez que havia muito material de reserva que não entrou no corte de Whedon. Boato vai e boato vem, finalmente saiu a informação de que o filme existia.

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Assim, chegamos no lançamento de “Liga da Justiça de Zack Snyder”, que como o nome sugere é a versão que traz a visão ampla do criador original do filme. A obra reeditada por Zack Snyder tem mais de 120 minutos de cenas novas (sendo que o filme de 2017 tinha apenas 120 minutos, logo temos aproximadamente 4 horas de duração nesta nova versão). Isso sem contar novos efeitos especiais, novos personagens, formato de tela diferente e nova trilha sonora, culminando assim em um projeto bem mais completo e até muito diferente (apesar de trazer uma história similar).

Vale a pena ver a Liga da Justiça de Zack Snyder?

A questão que fica: vale a pena assistir à Liga da Justiça de Zack Snyder? Os conteúdos novos e a reedição justificam investir quase 4 horas de vida em frente à televisão?

Como quase tudo na vida, ainda mais considerando gostos pessoais com relação a filmes, a resposta para essa pergunta é: depende!

Basicamente, se você gosta de filmes de ação, de obras baseadas em histórias em quadrinhos ou se você for um fã do universo DC, muito provavelmente a nova versão da Liga da Justiça vai te surpreender positivamente. Isso porque, além de quase 2 horas de filme adicionais, há um novo tratamento de cor que deixa o filme mais sombrio, como sempre foi o universo DC nos cinemas. Talvez a coisa mais esquisita é o formato da película mais quadrado, que quase parece um filme para Instagram.

No entanto, se você não gosta de filmes do gênero ou se você é fã exclusivamente de obras da Marvel, então este longa-metragem (e bota longa nisso) vai parecer mais do mesmo, porém com um tempo de projeção alongado. Neste caso, às vezes, é melhor poupar seu tempo.

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Sem dar spoilers, a verdade é que a nova versão da Liga continua tendo diversos problemas com relação ao roteiro, até porque é impossível reparar todos os erros sem refazer o projeto completamente e, considerando que a Warner não toparia refazer o filme inteiro, o que temos é um remendo que tenta melhorar a narração da história e fazer tudo ter um pouco mais de sentido.

Só que não tem como uma segunda edição (mesmo com cenas extras) fazer milagres, porque o principal fator que limita este filme é a falta de material de background, ou seja, sem filmes dedicados do Flash e do Ciborgue, por exemplo, cabe ao filme da Liga incorporar algumas cenas que nos ajudem a compreender quem são os personagens e como eles se encaixam no contexto do grupo. Zack Snyder pensou nesse detalhe, mas o que temos aqui são pequenos enxertos, que dão uma pincelada nos personagens.

Com poucos minutos dedicados a cada personagem, é inevitável que o filme não consiga concluir a missão de garantir que o público se apegue aos heróis, já que são tantas histórias e poucas linhas de diálogo para cada uma, às vezes fica difícil ter empatia por um por outro, como é o caso do Ciborgue que, a meu ver, mais cria um peso dramático sem grande emoção, deixando o filme cansativo. Por outro lado, o alívio cômico mais exagerado no arco do Flash e algumas surpresas bem relevantes fazem o filme ganhar forças e até se aproximar muito do que deveria ser um filme de quadrinhos mesmo, com cenas inusitadas e impactantes.

Apesar de muitos acertos e algumas adições bem importantes, vale pontuar que ainda tem coisas que ficam soltas no filme (ou são conectadas apenas de forma superficial), inclusive, como exemplo, temos a introdução de personagens que poderiam mudar completamente o rumo do roteiro. No entanto, novamente Snyder cai no problema: sem poder refazer a obra por inteira, algumas cenas não fazem tanto sentido, mas ao menos elas ajudam a expandir o conceito do que poderia ser a Liga da Justiça se fosse pensada com cautela desde o começo.

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E aqui a culpa é do estúdio, que sempre fez tudo na pressa e sem refletir como alguns filmes causariam impacto no futuro do universo DC. E, aliás, eles continuam fazendo, né? Temos aí vários exemplos de séries televisivas (como “Batwoman”) e também de filmes para o cinema (como o “Esquadrão Suicida”) que podem até dar retorno de audiência, mas não necessariamente de receptividade. Mas voltando ao tópico da Liga, ao menos nesse ponto a Warner/DC acertou em deixar Snyder fazer seu corte do filme.

E vale o recado para quem pensa que o filme é muito longo: a nova versão da Liga é dividida em várias partes, já que o projeto foi pensando para exibição em capítulos no serviço de streaming HBO MAX, ou seja, se você não quiser assistir tudo numa única sessão, pode fazer pausas sem perder o sentido da história. Além disso, com as novas cenas, nova edição e a trilha inédita, o filme ganhou um novo fôlego e passa rápido, pois a ação prende nossa atenção e faz a gente mergulhar muito na pancadaria.

Por fim, mas não menos importante, é muito legal o filme ter essa nova versão com um epílogo, que mesmo não sendo um gancho para uma continuação concreta, mostra que havia a intenção e boas ideias para ampliar o universo DC, criando uma versão cinematográfica do que antes a gente amava na animação televisiva da Liga da Justiça Sem limites.

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Mesmo sem contar uma nova história, a “Liga da Justiça de Zack Snyder” consegue entreter e superar facilmente seu antecessor (até porque não era difícil, né?), sendo então uma boa pedida para os fãs dos personagens DC. Resta saber se o que a Warner vai fazer após o sucesso do filme (que tem aprovação de 71% da crítica e 95% do público no Rotten Tomatoes), pois já sabemos que tem novos filmes do “Batman”, do “Adão Negro” e de outros personagens vindo aí, mas com a mudança de atores e sem a unificação, o estúdio continua no problema que vem patinando há anos.

Mulher-Maravilha 1984 ganha produtos oficiais: Jaqueta, Fones, Carteira e mais!

Com essa pandemia sem fim, o filme "Mulher-Maravilha 1984" já teve sua data de estreia alterada inúmeras vezes, sendo que a nova previsão de lançamento é para o dia 24 de dezembro de 2020 — lembrando que, anteriormente, o filme estava programado para estrear em agosto, o que depois mudou para outubro e, agora, somente para o Natal.

Assim, para amenizar os nervos dos fãs que não aguentam mais esperar (e que já curtiram o primeiro filme até na Rede Globo) e estão ansiosos para gastar dinheiros e também para as lojas fazerem uma graninha a Warner Bros anuncia os produtos oficiais do novo longa-metragem.

E para aguardar a chegada da nova aventura da Mulher-Maravilha diretamente dos anos 80, a Warner Bros. Consumer preparou uma seleção de produtos oficiais que incluem até eletroportáteis como um secador de cabelos (para você arrasar no look de Princesa Diana), acessórios como Headphones e carteira, bem como os tradicionais itens vestuário.

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Entre as marcas parceiras que disponibilizam os itens de merchandising, a Warner revelou produtos da Pernambucanas (que tem almofada, toalha de banho, boné, jogo de cama, roupas e o secado de cabelo), da Imaginarium (com garrafa térmica, porta-retrato, carregador portátil, carteira e fones de ouvido) e da Loja Oficial DC, da C&A, da Piticas (que tem até uma jaqueta em edição limitada) e da Havaianas.

Confira o trailer e mais detalhes do filme "Mulher-Maravilha 1984" na ficha abaixo:

Warner adia Mulher-Maravilha 1984 para 13 de agosto nos cinemas do Brasil

Mesmo com uma janela considerável até a estreia de “Mulher-Maravilha 1984” (que chegaria às telonas dia 4 de junho), em meio a pandemia do Coronavírus, a Warner Bros. Pictures optou por adiar a estreia do filme que traz Gal Gadot de volta ao papel da Diana de Themyscira.

A informação foi divulgada por Patty Jenkins, diretora do longa-metragem, que soltou um comunicado em sua conta no Twitter, sendo que a mensagem foi reforçada pela Gal Gadot que liberou o cartaz animado em sua conta no Twitter e também no Instagram.

Obviamente, as celebridades revelaram a data de estreia para os Estados Unidos (que recebe o filme no dia 14 de agosto), mas a Warner Bros. Pictures do Brasil soltou a informação oficial de que Mulher-Maravilha 1984 chega de fato no dia 13 de agosto aos cinemas do Brasil. Confira o novo cartaz oficial de Mulher-Maravilha 1984 já com a data oficial de estreia no Brasil:

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Aparentemente, a Warner optou por se antecipar tanto por conta das quarentenas instauradas em quase todos os países (o que pode levar ainda mais alguns meses) quanto para evitar o conflito de datas com outros filmes, que tiveram suas estreias suspensas temporariamente e devem estrear após o controle da situação do Covid-19.

E se você ainda nem sabia do filme, vale um resumo! Avançando para a década de 1980, a próxima aventura da Mulher-Maravilha nos cinemas a coloca frente a dois novos inimigos: Max Lord e Mulher-Leopardo. Com a diretora Patty Jenkins de volta ao comando e Gal Gadot no papel-título, Mulher-Maravilha 1984 é a sequência da estreia da super-heroína da DC como protagonista nas telas de cinema com o filme "Mulher-Maravilha", que em 2017 quebrou recordes e arrecadou US$ 822 milhões nas bilheterias mundiais.

Matt Reeves revela teaser de Robert Pattinson com o novo traje de Batman [vídeo]

Após tantas reviravoltas da DC Comics nos cinemas, ninguém sabe exatamente o que acontecerá com alguns personagens icônicos, como o Batman e o Superman. Até agora, só sabíamos da notícia de que teria um novo longa-metragem do Homem Morcego e que Robert Pattinson seria o homem por trás da máscara.

Todavia, num tweet inesperado, o diretor do filme, Matt Reeves (de "Planeta dos Macacos: A Guerra" e "Cloverfield: Monstro") liberou um teaser que é para ser um teste de câmera apenas, de modo que este material não deve aparecer em materiais finais do projeto.

Vale notar que o vídeo mostra alguns detalhes do uniforme do herói, incluindo o símbolo do morcego no peito em um formato um tanto inusitado. Além disso, é possível conferir parte do capuz, mas o material tem uma coloração bastante avermelhada e pouco clara, de modo que não fica evidente como será o visual final desta nova versão do personagem.

Estrelando ao lado de Pattinson teremos um time de celebridades para interpretar os personagens icônicos de Gotham, incluindo Zoë Kravitz como Selina Kyle; Paul Dano como Edward Nashton; Jeffrey Wright como James Gordon do Departamento de Polícia de Gotham City; John Turturro como Carmine Falcone; Peter Sarsgaard como o promotor de Gotham City Gil Colson; Jayme Lawson como a candidata a prefeito Bella Reál; Andy Serkis como Alfred; e Colin Farrell como Oswald Cobblepot.

A equipe criativa de Matt Reeves nos bastidores inclui:

Vale lembrar que o personagem Batman foi criado por Bob Kane e Bill Finger. Baseado nos personagens da DC, The Batman (ainda sem título oficial no Brasil) está programado para estrear nos cinemas em 24 de junho de 2021 e será distribuído mundialmente pela Warner Bros. Pictures.

Critica do filme Shazam! | Uma palavra pode mudar tudo

Shazam é o filme mais Marvel da DC e isso é muito bom. O que pode soar como ofensa para fãs mais ardorosos, ou como saudoso aceno às origens do herói — que até meados dos anos 70 era conhecido como Capitão Marvel — é apenas a constatação de que o filme conhece o seu protagonista e ajusta o seu tom de acordo, seguindo o exemplo do que a Marvel vem fazendo com muito sucesso nos cinemas.

Sem entrar na infindável discussão sobre os porquês dos insucessos da DC no cinema, basta dizer que impor um meta-conceito em todos os personagens não funciona, e no caso específico de Shazam, seria totalmente contrário à essência do herói. Mérito aqui para o trio David F. Sandberg, Henry Gayden e Darren Lemke que entenderam o personagem e entregaram uma aventura bem adaptada.

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Sandberg explora ao máximo o humor juvenil próprio dos quadrinhos da Era de Ouro, navegando com sucesso entre a ingenuidade e a petulância. O roteiro da dupla Gayden e Lemke tem seus problemas, mas é coerente tanto como história de origem em mais um capítulo do inconsistente DCEU (universo cinematográfico estendido da DC Comics) ou como uma aventura “oitentista” digna da Sessão da Tarde.

Com uma apresentação dinâmica, o filme apresenta contornos mais claros para a nova face da DC nos cinemas. Seguindo o exemplo de Aquaman, Shazam!, não tem medo de tirar sarro de si mesmo e de todo o universo DC, entregando assim não apenas um filme de herói, mas também outros elementos que dão mais substância. Os roteiristas e o diretor não tentam forçar sua visão sobre o personagem, pelo contrário eles se adaptam ao personagem.

Me chame pelo meu nome 

Quem nunca pensou em ser um super-herói, com poderes espetaculares e habilidades fantásticas. Bem, Billy Batson (Asher Angel) não tem muito tempo para esse tipo de fantasia, o problemático garoto de 14 anos tem apenas uma coisa em mente, encontrar a sua mãe. Depois de se separar dela quando criança, Billy passou a viver em uma série de lares adotivos — sempre fugindo para tentar encontrar sua mãe perdida. Agora, a caminho do seu sétimo lar consecutivo, sob o teto da família Vázquez — um simpático casal com outras cinco crianças adotadas — Billy não parece nada sensibilizado e já planeja sua fuga da casa.

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No entanto, antes de partir, Billy mostra seu valor ao defender um de seus irmãos adotivos de uma dupla de valentões, mas as coisas não saem muito bem e o garoto é obrigado a fugir dos dois e é aqui que tudo fica mais interessante. Enquanto fugia dos brigões, o garoto é magicamente transportado para a Rocha da Eternidade, o reduto mágico do milenar Mago Shazam, que há muito busca por um campeão capaz de portar o seu poder e seguir lutando contra o mal.

Assim, quando Billy pronuncia a palavra mágica — o nome Shazam — ele é transformado no Campeão da Humanidade, um ser imbuído com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mércurio. Com seus novos superpoderes, Billy vai atrás de seu irmão adotivo Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) — um fã de super-heróis que certamente saberá lidar com a situação.

Em tempo a dupla começa a compreender quais são os poderes de Billy e como usá-los, mas antes que os dois consigam entender o que está acontecendo, um terrível vilão aparece para destruir Shazam e trazer o caos para o mundo. Trata-se do Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong), um homem que na juventude foi preterido pelo Mago Shazam, que não viu nele a capacidade para o bem, como a que reside no coração de Billy.

Rancoroso, o Dr. Silvana conseguiu localizar o esconderijo do mago e lá ele libertou os “Sete Inimigos Mortais da Humanidade”, sete terríveis demônios que foram aprisionados pelo Mago Shazam em sete estátuas de pedra, um castigo que deveria durar para toda a eternidade, mas que graças à artimanha do Dr. Silvana foram liberadas e agora alimentam a sua sede por poder.

Aproveitando bem diferentes elementos das origens do Capitão, sejam da versão original lá de 1939 ou da releitura dos Novos 52 (linha editorial da DC que recontou a origem de vários personagens), Gayden e Lemke escrevem sobre a essência de Shazam, enquanto Sandberg a descreve e Zachary Levi a materializa na tela.

Mesmo com alguns diálogos expositivos atrasando o fluxo da narrativa, o filme flui com certa rapidez, muito por conta do dinamismo de Sandberg, que apesar de não inovar se aproveita muito bem de diferentes estilos para costurar o filme de maneira eficiente. As cenas de luta parecem saídas diretamente de Homem de Aço, enquanto os momentos mais cômicos são inspirados em clássicos oitentistas como Quero Ser Grande.

Família Shazam!

A Família Shazam era o nome do grupo de super-heróis associados ao Campeão da Humanidade, mas aqui eu uso o termo para me referir ao trio de atores que comanda o filme. Zachary Levi, Asher Angel e Jack Dylan Grazer dão um show a parte, a química entre os três é essencial para que o filme funcione e os três entregam ótimas performances.

Além do talento por trás das câmeras, o filme também acertou em cheio no elenco. Apesar de não ter gostado muito da indicação de Zachary Levi para o papel, fui obrigado a rever minha posição depois de assistir a sua atuação. Levi possui um carisma peculiar que encaixa muito bem com a estranheza de Shazam. Além disso, a parceria com Asher Angel e Jack Dylan Grazer parece extremamente natural entregando um trabalho coletivo muito interessante.

O mesmo vale para o resto do elenco. Mark Strong não foge muito da sua zona de conforto e mesmo assim constrói uma personificação sombria do Dr. Silvana. Enquanto isso, a “família” adotiva de Billy, Faithe Herman, Jovan Armand, Ian Chen e Grace Fulton esbanjam carisma.

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O mais Marvel da DC

Shazam acerta o tom e mostra que ainda há muita vida no DCEU. A direção de David F. Sandberg é ágil e inteligente, mesmo sem ser especialmente inventiva. O roteiro da dupla Henry Gayden e Darren Lemke é competente em expor a essência de Billy Batson e sua família estendida, mas falha em apresentar todos os elementos que fazem de Shazam, não apenas um personagem carismático, mas um dos mais poderosos do universo DC (capaz de fazer frente ao Super-Homem). 

Shazam! pode não ser memorável, mas apresenta o que o DCEU precisa; um herói

O elenco é sem sombra de dúvida o ponto alto do filme. Como alguém que não gostou muito da nomeação de Zachary Levi para o papel de Shazam - a versão adulta e superpoderosa de Billy Batson - me sinto obrigado a reiterar o trabalho do ator. Levi é engraçado na medida certa, e a sinergia com Jack Dylan Grazer (que encarna Freddy Freeman) é excepcional, entregando as melhores cenas do filme.

Shazam! agrada sem fazer muita força. O filme acerta o tom para chamar famílias que não conhecem o personagem, e recheia a história com pequenas supresas para os fãs mais ardorosos - por sinal, existem duas cenas pós-creditos, sugerindo inclusive uma continuação com um dos vilões mais insólitos de toda a DC Comics. No melhor estilo Sessão da tare, Shazam chega para redefinir o DCEU e quem sabe restabelecer um universo cinematográfico que parecia extinto.